Expedição ao Monte Roraima – Roteiro do Trekking de 8 dias

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Início do Trekking ao Monte Roraima
O Monte Roraima pertence a três países: Venezuela (85%), Guiana (10%) e Brasil (apenas 5%). Protegido pelo Parque Nacional Canaima, constitui um tepui, um tipo de montanha em formato de mesa. Existem duas formas de chegar ao topo: de helicóptero e a pé, que é o nosso caso! Risos. A entrada é feita pela Venezuela e a forma mais fácil para nós brasileiros é atravessar a fronteira em Pacaraima, saindo da cidade de Boa Vista – RR. Ao total foram 8 dias de trekking na nossa expedição, 90 km de muita caminhada e mochila nas costas!

 

Ida para a Venezuela:
Nossa entrada na Venezuela foi pela fronteira com a cidade de Pacaraima e partimos pra lá saindo de Boa Vista (Roraima).

Ida: Gol, Tam e Azul operam voos para Boa Vista, eles custam em média R$1.000, mas, você pode conseguir por um preço melhor comprando com antecedência. Saí de São Paulo com destino a Boa Vista (Roraima), num voo tam que consegui pegar com milhas. A maioria dos voos das cidades brasileiras, incluindo o que peguei, faz conexão em Brasília.

Em Boa Vista, antes de partir para o Trekking, fiquei hospedada no hotel Ideal, que era o local onde nosso grupo da expedição se encontraria (diária R$100).

 

Dia 1: Boa Vista / Santa Elena de Uairen / Quebrada Jaspe

 

De Boa Vista atravessamos a fronteira para a Venezuela de carro, a viagem durou umas 4 horas e já estava tudo programado com a agência contratada (Chapada Trekking). Tudo bem tranquilo na fronteira, passaporte carimbado, trocamos de carro e partimos!

Almoçamos num restaurante em Santa Elena e partimos para conhecer a Quebrada Jaspe na Gran Sabana Venezuelana, uma cachoeira linda, localizada no Parque Nacional Canaima. O nome faz referência a pedra jaspe, que é uma pedra preciosa e ao redor da cachoeira, o solo é todo em pedra de cor avermelhada, que forma esse cenário incrível!

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Quebrada Jaspe
A noite, ficamos hospedados numa pousada linda de Santa Elena, saímos para jantar numa pizzaria próxima e fomos descansar para iniciar a caminhada no dia seguinte.

 

Dia 2: Santa Elena de Uairen / Paraitepuy / Acampamento Tek

 

Saímos cedo de Santa Elena, divididos em carros 4×4 rumo ao povoado de Paraitepuy. Nosso grupo era de 13 pessoas, um guia brasileiro e mais uma equipe de 11 profissionais locais, uma verdadeira operação para levar equipamentos e mantimentos para 7 dias de trekking e isolamento!

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Staff expedição Monte Roraima

Paraitepuy 

 

Chegamos na incrível aldeia de Paraitepuy e fomos muito bem recebidos, conhecemos Braulio, que foi nosso guia local, um dos mais experientes da Aldeia, ele sobe o monte a 25 anos e já perdeu a noção da quantidade de expedições. Conhecemos também toda a equipe que nos acompanharia na expedição, no total de 11 pessoas, entre carregadores, cozinheiros e guias. Fiquei encantada com as pessoas! Assinamos o livro de entrada no parque e iniciamos nossa caminhada, que foi de aproximadamente 13 Km até o primeiro acampamento: Rio Tek.

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Paraitepuy
Chegamos ao acampamento do Rio Tek por volta das 15:30, depois de 3,5 horas de caminhada, de nível moderada, o que dificulta um pouco é o peso da mochila (no meu caso, 12 kg). A beira do Rio Tek, um acampamento a céu aberto, com o Monte Roraima e Kukénan ao fundo, cenário lindo. Banho no rio pra lavar a alma enquanto nossas barracas eram montadas pela equipe e um encontro: puri-puri, insetos que te atacam sem dó, o repelente segura bem mas, não o suficiente. Caiu um dilúvio assim que estávamos acomodados! O jantar foi uma sopa de legumes de entrada e um super prato de arroz, salada e frango, ficamos ali por algum tempo jogando conversa fora, trocando experiências e nos conhecendo melhor. Primeiro perrengue: o isolante térmico. Escolhi levar um isolante bem fino, por conta do peso e me arrependi no primeiro dia. A sensação era de estar deitada direto na pedra, aqui a primeira dica: leve um isolante inflável. Descansamos com o barulhinho da chuva, enquanto ela inundava nossas barradas (risos).

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Caminhada Monte Roraima

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Acampamento Rio Tek
 

Dia 3: Acampamento Tek / Rio Kukenan / Acampamento Base

 

Acordamos cedo para o café da manhã e conhecemos neste dia a Arepa, um bolinho bem comum por aqui e presente em quase todas as manhas. Dormi mal, por conta do isolante fino mas, uma grande lição que aprendi foi a de acordar, esquecer das dores e focar no próximo passo. Após o café, atravessamos o Rio Tek e partimos em direção ao Acampamento Base, bem pertinho da montanha. Caminhada boa, regada a boas conversas com os colegas montanhistas e com a cumplicidade de sempre ter um ajudando ao outro! No caminho, encontramos o Rio Kukenan, lindo e tomamos um belo banho a tarde! Um ponto importante é que não usamos sabonete para preservar as águas das nascentes e rios durante toda a viagem. No acampamento, vários grupos chegando, temperatura já estava mais baixa, frio, vento e um banho geladoooooooo, num lago bem pequeno próximo ao acampamento. Jantamos e fomos descansar para acordar bem cedo em rumo ao topo do Roraima!

 

Dia 4: Acampamento Base / topo da montanha

 

Apesar do frio, dormi melhor na noite passada, acho que o corpo começava a acostumar com o chão duro. Acordamos bem animados, pois este era o dia da nossa subida ao topo da montanha, o dia mais esperado. Tomamos um café reforçado e começamos nossa jornada. Foram 4 horas de subida ingrime, com chuva em parte do caminho, o que dificultou um pouco. Existem dois pontos mais difíceis: os 10 minutos iniciais (uma escalaminhada bem ingrime onde o segredo é não olhar pra trás) e o passo das lágrimas (caminho debaixo de uma cachoeira, que fica bem molhado e requer muita atenção e cuidado). Chegar ao topo foi uma emoção a parte! Acho que só quem esteve aqui sabe a sensação… uma mistura de emoção (caíram algumas lágrimas), sentimento de conquista, felicidade extrema por ter chegado e também ao ver os companheiros chegando. Cada abraço, em cada um dos companheiros, a melhor sensação!

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Cume Monte Roraima

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Topo Monte Roraima
 

Ficamos acampados no Hotel Sucre (os acampamentos são chamados de hotéis), onde ficamos por três noites. Noites frias, bem frias, uma temperatura de 8 graus, mas, a sensação pra mim era muito pior. Dormia sozinha na barraca, o que deixava mais frio, mesmo com as roupas térmicas e saco de dormir apropriado, sentia frio a noite toda! Este é o único hotel com água corrente no topo da montanha, facilita bastante a vida dos cozinheiros. Ao chegar aqui me emocionei um pouco, lembrando de tudo que passei este ano com a cirurgia no ombro, o tempo sem atividade física… chegar aqui foi realizar o plano do ano, todo o meu pensamento estava aqui durante a minha recuperação!

 

Aqui o banho passou a ser com lenços umedecidos! Sim, não dá pra poluir a água que será utilizada para beber e fazer sua comida! O banheiro no Roraima também é um capítulo a parte, risos!

 

Dia 5:  Vale dos Cristais / Ponto Triplo / El  fosso 

 

Acordamos cedo depois de uma noite fria, café da manhã reforçado e partimos para o dia que seria mais pesado – 17 km de caminhada dura! O topo do Roraima é praticamente todo de pedras, então, as “caminhadas” são mais cansativas, você pula pedras o tempo inteiro e encontra algumas fendas para saltar no meio do caminho (não olhe pra baixo \0/ ).

 

Vale dos Cristais

Nosso primeiro ponto de parada foi no Vale dos Cristas, um local cheio de cristais brancos e lindos. Confesso que esperava ver mais cristais e os guias me contaram que a falta deles é por conta dos turistas que levam uma pedrinha de recordação pra casa. Isso mesmo, um absurdo! Daqui não se leva nada além das histórias e memórias que ninguém vai tirar de vocês, então, devemos respeitar a natureza! Para que outras pessoas tenham a oportunidade de ver isso um dia.

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Vale dos Cristais – Monte Roraima

Tríplice fronteira: Brasil, Venezuela e Guiana Francesa

Segundo ponto de parada, o ponto triplo! O encontro entre os três países: Brasil (5%), Venezuela (85%) e Guiana (10%).

 

El Fosso

Um poço enorme no meio do Roraima, onde é possível tomar um belo banho de água gelada. Depois de uma dura caminhada, chegamos ao El fosso. Lanchamos e uma parte do grupo desceu para o banho. Eu desisti no meio do caminho porque fiquei com medo! hahaha isso mesmo, quando eu tenho medo não vou! Depois vi que a descida era mais simples do que imaginei mas, quando não me sinto confortável, não tenho vergonha nenhuma em desistir. Olhar o poço por cima já foi incrível pra mim e aproveitei para descansar nas pedras com os colegas que também ficaram. Depois do descanso, uma longa caminhada de volta ao hotel Sucre. Foi o dia mais cansativo, todos mortos! Nem o chão de pedra na barraca fez com que eu não dormisse, risos. Jantamos e exaustos, dormimos bem cedo.

 

Dia 6: Mirante La Ventana / Catedral / Piscinas Jacuzzi / Pedra Maverick

 

Dia de caminhada leve após o nosso café de cada dia, saímos bem cedo sentido a La Ventana. Este é o ponto entre o Monte Roraima e o Kukenán, lugar lindo, vista incrível, mas, é preciso madrugar para conseguir tempo aberto. Em questão de minutos as nuvens tomam conta e não se tem mais visibilidade. Todos ficaram maravilhados com a vista, é uma sensação incrível, de grandeza, que só este lugar oferece.

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La Ventana – Monte Roraima
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La Ventana – Monte Roraima

Saímos de La Ventana e passamos pela Catedral, uma cachoeira bem linda e intimista. Escondida, tímida e brilhante.

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Catedral – Monte Roraima

Depois da Catedral, conhecemos as Jacuzzis do Roraima. As piscinas naturais, lindas, no meio de tanta pedra, nesse lugar ímpar. Incrível! Um belo banho gelado pra lavar a alma e recarregar as energias.

 

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Jacuzzi – Monte Roraima

 

Voltamos ao hotel Sucre para almoçar e descansar e ficamos aguardando o fim de tarde para subirmos ao ponto culminante do tepui, o Maverick! Do nosso acampamento tínhamos a vista do ponto mais alto, então ficamos por ali, torcendo para que abrisse uma janela de tempo aberto para a subida. Conseguimos! a subida é tranquila, em uma hora estávamos no ponto mais alto da montanha! Mais uma emoção! Aquela sensação de que cada passo, cada suor, cada dor no pé, valeu a pena!

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Maverick: ponto culminante do Monte Roraima

Descemos do Maverick rumo ao nosso acampamento, jantamos e dormimos cedo aquele dia, nos preparando para a descida que seria no dia seguinte.

 

Dia 7: Topo / Base / Acampamento Rio Tek

 

Dia 13 de outubro, meu aniversário! Isso mesmo, passei meu aniversário na montanha! Acordei com muitos abraços e felicitações dos meus companheiros de aventura, um dia incrível pra ficar na memória.

Tomamos um café reforçado, pois este seria um dos dias de maior caminhada. A descida sempre me preocupada mais que a subida, por ser mais técnica, mais risco de queda. Mas, ocorreu tudo bem, os joelhos sofreram um pouco mas, nada demais, descemos bem, em torno de 3,5 horas estávamos no acampamento base para almoçar. A idéia era pernoitar por ali, mas, o tempo instável e o risco do rio subir muito com as chuvas, fizeram nossos guias mudar de plano. Após o almoço, caminhamos mais 6 km e paramos para tomar um banho no Rio Kukenán.  De lá, andamos até  o acampamento do Rio Tek. Chegamos todos bem exaustos e ganhamos mais um banho no Rio pra renovar as energias.

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Café da manhã no Monte Roraima

Como eu disse antes, era meu aniversário e, para minha surpresa, chegou um carregador cheio de cervejas! Deus, obrigada, cerveja!!! E também teve brigadeiro e parabéns. Um dia que você só olha pro céu e agradece!

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Cerveja no Monte Roraima

Dia 8: Acampamento Rio Tek / Paraitepuy / Santa Elena / Boa Vista

 

Acordamos cedo, aquela saudade no coração de algo que ainda nem acabou, era o último dia de trekking. Café, arepa, frutas e nutella – combustível para a caminhada dura que enfrentaríamos para voltar a Paraitepuy. Este dia exige bastante esforço, com muitas subidas, além do cansaço acumulado no corpo. Neste dia, o grupo andou bastante separado, cada um no seu ritmo, segui junto com Adriano, Andrea e Dmitri. Em meio as dores, risadas ao relembrar os bons momentos. Chegamos a Paraitepuy e sentamos num bar para aguardar a chegada da galera, com um refrigerante que parecia um sonho! risos.

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Monte Roraima
De Paraitepuy seguimos de carro até a aldeia de San Francisco de Yuruaní, onde almoçamos e conhecemos o artesanato local. Dali, partimos para Santa Elena, onde trocaríamos de carro para voltar ao Brasil. Foi incrível! Sair da sua zona de conforto e perceber que, na verdade, precisamos de pouco pra viver. Olhar em volta e ver a grandeza da natureza, soberana, linda, a beleza ímpar do Roraima, tão diferente, tão mágico. Respeitar cada pedacinho desse lugar, com a vontade de que outras pessoas tenham a mesma oportunidade de estar ali. Imaginar-se voltando um dia, talvez. Sou grata por ter vivido este momento. Serei sempre grata. Da montanha não trouxe nenhum pedacinho… mas, trouxe comigo muitas histórias e grandes amigos.

 

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Topo do Monte Roraima

Agência de viagens:

Contratei os serviços da Chapada Trekking, por serem brasileiros, com preço muito justo e eu já havia viajado com eles anteriormente na Chapada Diamantina.

O Dmitri foi o guia responsável pela expedição, um cara incrível, que junto com sua esposa Michele fazem um trabalho maravilhoso. Super indico! Já havia viajado com eles na Chapada Diamantina e, com certeza, teremos mais trips. O site deles é http://www.chapadatrekking.com.br

Custou R$ 1990 por pessoa e estava incluso todo o necessário: transporte, hospedagens, barracas, alimentação completa, e carregadores para os itens coletivos. Além disso, só gastei dinheiro com algumas lembrancinhas compradas por lá!

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Foto por: Adriano Kirihaha
Um beijo no coração, obrigada por ler este relato!

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