Salkantay Trek

Fomos ao Peru fazer o trekking de Salkantay e vamos contar tudo sobre esta incrível aventura, cheia de paisagens maravilhosas. A caminhada passa por lugares fantásticos, montanhas, vales e lindas paisagens andinas, passando pelo nevado Salkantay até a amazônia peruana. Uma trilha mais contemplativa relacionada a trilha inca, com menos turistas, sendo uma das mais bonitas do mundo.

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O trekking durou cinco dias e quatro noites, sendo três noites dormindo em barracas e a quarta noite com hospedagem em Águas Calientes, antes de conhecer a última e tão sonhada etapa: Machu Picchu.

Dia 1

Saímos de Cusco por volta das 6 da manhã com destino a um pequeno povoado andino onde passaríamos o briefing da trilha e conheceríamos os integrantes do nosso grupo de caminhada.

Chegando lá tomamos café num restaurante bem simples, com todos os participantes da aventura reunidos. Ali enviamos também os 5 kg de roupas/equipamentos que seriam carregados pelos cavalos/carregadores e que são inclusos no trekking. De fato se respeitam os 5 kg exatos, inclusive tive que tirar algumas coisas da mochila (risos).

Após o café da manhã, os guias separaram os grupos de caminhada, éramos em quatro grupos. Meu grupo tinha 16 pessoas, era bem diversificado: eu era a única brasileira e comigo foram mais quatro franceses, quatro alemães, duas holandesas, dois australianos, um espanhol, uma colombiana, um chileno, além dos dois incríveis guias peruanos – Eddie e Rosana.  Fomos por mais duas horas no ônibus até chegar em nosso ponto de partida da caminhada.

Nesse primeiro dia do roteiro andamos aproximadamente 13 km. A caminhada seguiu num ritmo bem tranquilo, os guias vão parando a cada uma hora aproximadamente, explicam muito sobre as plantas, flores e lugares em que se vai passando.  Até chegarmos ao nosso primeiro acampamento, próximo a Luguna Humantay.

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Que lugar, meu Deus!!! Uma subida de aproximadamente 1 hora e 30 minutos, até chegar a laguna que estava com o tempo fechado e ainda nessas condições é fantástica!!!

Depois de uma meia hora o tempo começou a abrir, deixando mais evidente a água cristalina deste paraíso… nem cheguei a cogitar a possibilidade de entrar na água, fazia muito frio, quase congelante (risos), belíssima…

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Banho? Sim, tinha alguns banhos durante o trajeto! o negócio era mais gourmetizado do que eu esperava… Mas não neste acampamento (kkkkkkkkkk), aqui o que nos salvou foram os lenços umedecidos (melhor amigo do montanhista, diga-se de passagem).

Dia 2

Acordamos cedo, por volta das 5:30 da manhã os guias começam a ir de barraca em barraca para acordar os tilheiros com chá de coca quentinho. A coca ajuda muito a minimizar o mal de altitude, é combustível durante toda a viagem.

Este foi o dia mais duro do trekking, onde rodamos no total 22 km. Pra mim, o dia mais especial, onde finalmente fomos a Salkantay, chegamos depois de 4 horas ao ponto mais alto da nossa aventura, 4.630 metros de altitude.

Que sensação incrível chegar aqui, que vitória! ali nos abraçamos e comemoramos a chegada da nossa família da montanha a um dos pontos mais esperados.

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Sentados todos juntos, ouvimos muitas histórias contadas por nossos guias e pudemos apreciar um pouco de neve caindo lindamente sobre a montanha.

A noite no acampamento, além do jantar e chá de coca, havia sempre chocolate quente para ajudar a aquecer. De fato, a temperatura caia muito. Eu dormia toda empacotada e dentro de um saco de dormir de -9 graus. Dureza era sair pra escovar os dentes! hahaha isso é para os fortes amigos, isso é para os fortes!

Uma coisa boa… banho! sim, tomamos banho! Para o meu desespero (porque eu esperava tudo bem roots pra ficar longe do mundo) havia tudo que se possa imaginar nesse acampamento. Paguei cerca de R$ 10,00 para tomar banho e pasmem, tinha Wi-Fi! O sinal era bem ruim, mas pudemos enviar mensagens para a família avisando que estávamos vivos e bem.

Dia 3

Acordamos cedo como sempre, com os cozinheiros entregando o chá de coca tradicional do despertar. Ainda não havia amanhecido e após o café da manhã nós teríamos um longo percurso pela frente.

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O guia para o tempo inteiro para explicar sobre as plantas medicinais que se encontram pelo caminho. Pudemos provar a sensação de algumas que aliviavam as narinas, outra denominada “O Redbull dos Incas”, onde ao inalar ganha-se uma porção extra de energia!

Nos pintamos também, assim como os Incas e reverenciamos a natureza durante todo o tempo. De fato éramos uma família unida e cheia de amor. Ao meio dia, paramos para almoçar num refúgio para montanhistas e ali também pudemos tomar um café que é plantado naquelas montanhas, que café maravilhoso! Como sou uma apaixonada por café, aquele foi como se fosse o meu prêmio por todo aquele esforço do dia.

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Termas de Santa Tereza

A essa altura do campeonato já estávamos com um saldo de 48 km de trilha! E por Glória de Deus chegamos nas águas termais de Santa Tereza. Que lugar!!!

Tem três piscinas enormes com águas termais, tudo natural, lindo… cada uma das piscinas tem água numa determinada temperatura, uma menos quente (mas não é fria), uma mais morninha e uma bem quente! Lavamos a alma, zeramos a vida ali naquele lugar!

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Tivemos lá por umas três horas, há um bar e alguns comerciantes vendendo cerveja, sucos, lanches, onde é possível descansar a beleza e ainda comer alguma coisa pra repor as energias. O lugar é mesmo encantador, tudo parte da natureza linda que o Peru possui, com tantas belezas diferentes e intrigantes.

Foi aqui também que passei mal (risos), isso mesmo, sensação de quase morte kkk. Até então, o mal de altitude não havia me abatido, estava muito bem psicologicamente, apesar das dores no joelho porque já havia tido uma lesão a poucos dias da viagem, mas estava tudo sob controle. Durante a tarde minha pressão caiu e uma dor muito forte no estômago tomou conta de mim. Cara, pior sensação! me deu desespero por estar apenas no meio do trekking, fui cuidada por uma amiga que dividia a barraca comigo e é médica (Diana). Tive uma intoxicação alimentar, sem saber muito o que causou. As condições da comida eram precárias, pode ter sido qualquer coisa. Mas o que me curou mesmo foram os remédios naturais dos Incas, meu guia me deu algumas poções para inalar e após o jantar fui dormir meio desfalecida. A foto abaixo mostra como era nosso acampamento, um galpão enorme com muitas barracas!

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Acordei as 22:30 com o barulho da festa no acampamento, isso mesmo, eu disse festa!!! é tradição entre os guias organizarem uma festa no terceiro acampamento, onde juntam-se vários grupos que estão ao mesmo tempo na montanha para comemorar a vida e o trajeto. Acordei bem melhor e deu até pra tomar uma cerveja!

Dia 4

Acordamos com muita chuva! o plano era fazer alguns esportes radicais antes da partida (tirolesa e bungue Jump) mas a chuva não deixou. Chovia demasiado e isso preocupou todo o grupo, neste dia faríamos o  último trajeto de descida para irmos até Águas Calientes, por conta da chuva o risco de queda de pedras durante a trilha é muito alto.

Após algumas horas esperando que a chuva passasse sem sucesso, tomamos a decisão de fazer uma parte da travessia com carros para preservar a vida de todos. Durante o caminho, a chuva finalmente parou e pudemos continuar caminhando.

Foi duro! Duro porque as descidas castigam demais, principalmente os joelhos, que no meu caso já estavam bastante debilitados.

Uma das coisas que mais me encantou no Trekking de Salkantay é a beleza do caminho. A natureza foi muito generosa com este lugar, é impressionante a altura das montanhas, todo o verde presente, fauna e flora abundantes. A cada fim de dia, ao chegar em nosso destino nos abraçávamos, saudávamos uns aos outros por aquela batalha vencida, sem acidentes, todos com saúde apesar das dificuldades.

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Se eu fosse te falar o que mais me encanta no montanhismo, essa é uma das coisas. O amor, respeito, carinho e força que um dá ao outro é incrível… Ali eu pude entender que ainda existe amor sim no mundo, gente do bem, que faz o bem sem se importar para quem seja, irmão de montanha ficam marcados pra vida toda.

E foi nesse clima de companheirismo que chegamos à Águas Calientes! Cidade linda, maravilhosa, cheia de história e cultura. Estávamos tão cansados, que apenas jantamos num restaurante com o grupo, naquele que seria nosso jantar de despedida, passamos o briefing para o dia seguinte e fomos descansar, o dia seguinte seria longo.

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Dia 5

Macchu Pichu! Nem precisa dizer muito… é lindo mesmo!

Bom, primeiro quero falar da emoção que foi chegar aqui no quinto dia de caminhada. É você saber que conseguiu, é encontrar a força de onde não tem, uma respiração mais funda, aquele suspiro… olha pro céu e continua!

Estávamos exaustos! o corpo pedia descanso, a alma pedia novos lugares, nunca vistos antes. Saímos bem cedo do hotel de Águas Calientes para chegar na hidroelétrica antes da abertura dos portões, pegamos uma pequena fila e ficamos aguardando. A abertura é às 5:00 da manhã, quando antes você chegar, vai poder chegar em Macchu Picchu ainda vazio.

Subimos a pé, a trilha é feita com degraus, o que para os nossos joelhos sofridos não era muito bacana, mas foi rápido, cerca de 50 minutos até chegar à entrada, onde aguardamos todo o grupo e adentramos com nossos guias.

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Nossos guias foram responsáveis por nos apresentar Machu Picchu, por cerca de 40 minutos, até que nos despedimos emocionadamente da nossa família da montanha. Agora era cada um por si… aqui encerrava-se um ciclo de amor e compaixão. Aprendi mais uma vez que em cada montanha encontramos uma família. Ali tive pais e irmãos que me seguraram todos aqueles dias, chorei, chorei muito! Foi um choro de gratidão.

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Segui com três amigos do grupo para subirmos A Montanha, sim, apesar do corpo exausto, ainda tínhamos uma missão para cumprir. Esse doeu na alma (risos), foi uma hora e meia de subida dura em degraus. Acho que nunca suei tanto! Mas valeu muito a pena, chegar ao topo, ver Macchu Picchu bem pequeno, tantas montanhas em volta, imensidão que Deus criou. Suba! essa é a grande dica sobre este lugar, suba a Montanha, a sensação de estar lá é indescritível. Tentei ingressos para Huayna Picchu mas não consegui (mesmo tentando dois meses antes), então este foi o ponto final de caminhada.

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Fiz o caminho de volta para Cusco de trem até Cocha… e lá na estação havia uma van me esperando para levar de volta para o hostel, certa de 2 horas de estrada, cheguei umas 22:30, morta com farofa e de alma lavada.

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Os caminhos que percorremos nas montanhas não são fáceis, assim como nossa vida. É claro que você sofre, tem perrengue – emagreci 6 kilos na viagem porque tive uma intoxicação alimentar e não conseguia mais comer – tem momento de tristeza, tem a hora da saudade que dói no peito, mas tem a hora do sorriso, os inúmeros abraços e felicitações que você recebe dos seus companheiros. Tem companheirismo, carinho, afeto, uma mão que se estende a você. Montanhismo é um esporte onde o importante não é chegar primeiro, o que mais vale é o que se vive ali em cada lugar, cada pessoa, você se deixa de lado pra esperar e dar apoio a um amigo que está com dificuldade. Em outro momento, é alguém que te espera. Eu conheci ali a história de vida de 14 pessoas incríveis, que me ensinaram amor, me ensinaram valores e me ampararam quando eu precisei. Portanto, vá!   Vá e descubra o que Deus criou nesse mundo pra você. Luz!

Se você leu até aqui, obrigada! Muitas trips por esse mundão a fora pra nós, família!!!

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2 comentários em “Salkantay Trek

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